Tensão e troca de acusações na Renamo expõem profundas fraturas na oposição moçambicana | Notícias CLD
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Tensão e troca de acusações na Renamo expõem profundas fraturas na oposição moçambicana

Tensão e troca de acusações na Renamo expõem profundas fraturas na oposição moçambicana

O clima de divergência interna no principal partido da oposição moçambicana continua a intensificar-se. O chefe nacional de mobilização da Renamo, Geraldo Carvalho, veio a público acusar o antigo deputado António Muchanga de atuar para enfraquecer a organização e de servir agendas alheias aos interesses do partido.

A reação de Carvalho surge após as críticas de Muchanga à atual gestão da força política, contexto em que o antigo parlamentar tem exigido reformas na liderança e a realização de um congresso extraordinário. Segundo o responsável pela mobilização, a conduta de Muchanga acaba por favorecer a Frelimo, retirando-lhe a legitimidade para tentar impor rumos às estruturas partidárias.

Paralelamente, Carvalho lançou um aviso severo sobre as tentativas de encerramento forçado de delegações da Renamo por grupos dissidentes, garantindo que o partido responderá com firmeza a qualquer provocação. O dirigente reiterou que continuará focado no trabalho político junto às bases em províncias estratégicas como Manica e Zambézia.

Perante a escalada do conflito, o porta-voz da Renamo, Marcial Macome, reconheceu a existência de visões opostas no seio da organização, mas apelou ao cumprimento rigoroso da ordem estatutária. Macome lembrou que eventuais contestações à liderança não justificam a violação das regras internas e sublinhou que a convocação de um congresso extraordinário obedece a trâmites legais bem definidos que devem ser respeitados por todos os militantes.

Por sua vez, António Muchanga desvalorizou categoricamente as declarações de Geraldo Carvalho, rotulando o colega de partido como "insignificante" e "irrelevante". O ex-deputado recordou o percurso político de Carvalho — assinalando a sua passagem anterior pelo MDM — e sugeriu que este poderá estar a preparar uma nova saída da Renamo.

Muchanga direcionou as suas críticas ao presidente da organização, Ossufo Momade, responsabilizando-o diretamente pela crise e apontando a falta de convocação dos órgãos de consulta estatutários. O político assegurou ainda que a sua postura não responde a ambições pessoais, mas sim ao compromisso com os simpatizantes e com o futuro da Renamo, num momento em que a liderança de Momade enfrenta contestação crescente por parte de vários setores internos.

Fonte: O País

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