A crescente afluência de doentes vindos de várias regiões da província e do país está a colocar uma forte pressão sobre a rede sanitária da cidade de Maputo. A situação foi destacada pelo Secretário de Estado na capital, Vicente Joaquim Imede, que defende a urgência de soluções práticas e imediatas para aliviar a carga sobre as instalações médicas locais.
Durante uma visita de trabalho ao Distrito Municipal KaMubukwana, inserida na iniciativa de Governação Aberta e Descentralizada, o governante sublinhou que a prioridade deve ser garantir a assistência à população em tempo real, sem depender exclusivamente da formulação prolongada de novas políticas públicas. A constatação ocorreu após a inspeção ao Centro de Saúde de Zimpeto, onde acompanhou os desafios diários das equipas de saúde.
O grande obstáculo identificado reside no facto de a capacidade destas unidades ter sido dimensionada para a população local, mas a procura atual incluir um fluxo constante de utentes oriundos de distritos vizinhos, como Marracuene. Esta sobrecarga compromete a rotina dos serviços e gera descontentamento quanto à rapidez e qualidade do atendimento.
Quadros semelhantes foram observados no Hospital Geral de Mavalane, onde a forte procura por casos de acidentes vasculares cerebrais forçou o redirecionamento de parte dos doentes para o Centro de Saúde de Albazine. Contudo, a medida não travou a saturação, mantendo a unidade de Albazine sob elevada procura, com impacto direto no setor de fisioterapia.
Para além do excesso de doentes, o Secretário de Estado apontou falhas na logística de distribuição de fármacos, frisando que alguns medicamentos se encontravam acondicionados em saquetas desadequadas. Imede comprometeu-se a resolver estas deficiências e encorajou os profissionais de saúde a manterem o empenho, reconhecendo as limitações das suas condições de trabalho.
Na perspetiva dos utentes, a morosidade e a rutura de stocagem de medicamentos essenciais continuam a ser as maiores dificuldades. Relatos como o de Margarida Tamele, utente do Centro de Saúde de Zimpeto, evidenciam a longa espera antes da consulta e a falta de remédios nas farmácias dos centros de saúde.
A deslocação de fiscalização enquadra-se no acompanhamento das metas estratégicas definidas para o primeiro semestre de 2026, integradas no Programa Quinquenal do Governo (PQG 2025-2029).