Ricardo Guima: A História do Português que Encontrou nos Mambas o Orgulho de Representar Moçambique | Notícias CLD NOTÍCIAS CLD
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Ricardo Guima: A História do Português que Encontrou nos Mambas o Orgulho de Representar Moçambique
12/09/2026, 00:37:00
Chamo-me Ricardo Martins Guimarães, mas no futebol todos me conhecem por Guima. Nasci a 14 de Novembro de 1995, em Aveiro, Portugal. Desde muito cedo, o futebol entrou na minha vida e, com o passar dos anos, aquilo que começou como um sonho de criança transformou-se numa profissão e numa responsabilidade que carrego todos os dias.
Os primeiros passos
Comecei a minha formação no Taboeira, clube onde dei os primeiros passos e aprendi as bases do futebol. Ainda muito jovem, surgiu uma oportunidade que marcou a minha formação: aos 12 anos, passei pelo Benfica.
A experiência num clube com aquela dimensão ajudou-me a perceber que o futebol profissional exigia muito mais do que talento. Era preciso disciplina, sacrifício, capacidade de aprender e, acima de tudo, continuar a acreditar.
Depois dessa experiência, regressei ao Taboeira, onde continuei a minha formação. Mais tarde, cheguei à UD Oliveirense, clube onde completei a minha formação e comecei a aproximar-me do futebol sénior.
A estreia como profissional
Em 2014, chegou um dos momentos mais importantes da minha vida: a estreia no futebol profissional pela UD Oliveirense.
Tinha apenas 18 anos quando entrei em campo pela primeira vez na Segunda Liga portuguesa. O adversário foi o Benfica B.
A partir daquele momento, percebi que o sonho começava finalmente a transformar-se em realidade. Já não era apenas o jovem que queria ser jogador. Estava dentro do futebol profissional e tinha de lutar pelo meu espaço.
Passei duas temporadas na Oliveirense, acumulando experiência e aprendendo a lidar com as exigências do futebol sénior.
Sporting e Académica
Em 2016, surgiu uma nova etapa. Assinei pelo Sporting CP e passei a representar a equipa B.
Vestir a camisola de um dos maiores clubes de Portugal foi mais um passo importante na minha carreira. Enfrentei novos desafios, conheci outras exigências e continuei a desenvolver-me como médio.
Durante esse período, também representei a Académica por empréstimo. Foi uma experiência importante porque me permitiu ter mais minutos, competir regularmente e continuar a crescer.
A primeira aventura no estrangeiro
Em 2019, chegou a oportunidade de sair de Portugal.
Assinei pelo ŁKS Łódź, na Polónia. Pela primeira vez, vivi o futebol fora do meu país, conheci uma nova cultura, outro campeonato e uma realidade completamente diferente.
Jogar no estrangeiro obrigou-me a adaptar-me rapidamente. Aprendi que uma carreira de futebolista também é feita de mudanças, desafios e capacidade de adaptação.
Durante esse período, voltei novamente à Académica por empréstimo, mas a experiência internacional já fazia parte da minha caminhada.
A chegada ao Chaves
Em 2021, assinei pelo GD Chaves.
Foi um capítulo muito importante da minha carreira. No Chaves, encontrei um ambiente onde consegui continuar a evoluir e assumir responsabilidades dentro de campo.
Na época 2021/22, ajudámos o clube a conquistar a promoção à Primeira Liga portuguesa. Foi um momento especial, porque subir de divisão é sempre resultado de muito trabalho colectivo.
Depois, tive a oportunidade de disputar a Primeira Liga e enfrentar alguns dos maiores clubes do futebol português.
Foram anos importantes para a minha evolução como jogador e como pessoa.
Uma nova mudança: Turquia e Azerbaijão
Em 2024, decidi abraçar outro desafio internacional e cheguei ao futebol turco, onde representei o Iğdır FK.
Mais uma vez, tive de sair da minha zona de conforto.
Pouco depois, surgiu uma nova oportunidade no Azerbaijão. Em 2025, passei a representar o Zira FK, clube onde continuo a construir a minha carreira.
Cada mudança ensinou-me alguma coisa. Portugal deu-me a formação e os primeiros passos profissionais. A Polónia abriu-me as portas do futebol internacional. O Chaves ajudou-me a crescer num nível elevado do futebol português. A Turquia e o Azerbaijão deram-me novas experiências.
As minhas raízes moçambicanas
Apesar de ter nascido em Portugal, existe uma ligação muito importante com Moçambique na minha história.
A possibilidade de representar os Mambas tornou-se uma realidade em 2023.
Vestir a camisola de Moçambique não significava apenas entrar em campo para jogar futebol. Significava representar pessoas, uma cultura e um país que passaram a ocupar um lugar muito especial na minha carreira.
Quando tive a oportunidade de chegar à selecção, sabia que tinha uma responsabilidade enorme.
A estreia pelos Mambas
O dia 9 de Setembro de 2023 ficou marcado para sempre na minha memória.
Estreei-me pela selecção de Moçambique frente ao Benim, no Estádio Nacional do Zimpeto.
E não podia ter imaginado uma estreia mais especial.
Marquei um dos golos na vitória por 3-2 e ajudei Moçambique a garantir a qualificação para o CAN.
Foi uma noite que dificilmente esquecerei.
Estava pela primeira vez com a camisola dos Mambas e, logo nesse jogo, consegui marcar. Mais do que um golo, aquele momento representou a concretização de uma nova etapa da minha carreira internacional.
O CAN e o jogo contra o Egipto
Depois da qualificação, tive a oportunidade de disputar o CAN pela primeira vez.
No torneio realizado na Costa do Marfim, enfrentámos grandes selecções e vivemos momentos que ficaram para a história do futebol moçambicano.
Um dos jogos mais marcantes foi contra o Egipto.
Empatámos 2-2 num encontro muito competitivo e tive a felicidade de ser distinguido como Homem do Jogo.
Para mim, foi um reconhecimento enorme.
Estar num dos maiores palcos do futebol africano, enfrentar uma selecção como o Egipto e receber uma distinção individual representando Moçambique foi algo que nunca esquecerei.
O que significa vestir a camisola dos Mambas
Representar Moçambique mudou a forma como vejo algumas coisas no futebol.
Quando entro em campo pelos Mambas, sei que não estou apenas a representar o meu nome ou a minha carreira.
Estou a representar milhões de moçambicanos que acompanham a selecção, sofrem, vibram e acreditam.
Sinto uma felicidade enorme quando visto esta camisola.
Cada convocatória representa uma responsabilidade. Cada jogo representa uma oportunidade de ajudar o país. Cada vitória representa algo maior do que os próprios jogadores.
O meu estilo e a minha posição
Jogo principalmente no meio-campo, onde procuro contribuir através da leitura de jogo, do passe, da organização e da capacidade de ajudar a equipa tanto defensivamente como ofensivamente.
Sou um jogador que valoriza o trabalho colectivo.
No futebol, nem sempre quem marca o golo é quem mais contribuiu para uma vitória. Muitas vezes, um passe, uma recuperação de bola, uma decisão correcta ou uma movimentação podem ser tão importantes quanto um golo.
Por isso, procuro estar concentrado em todos os momentos do jogo.
As dificuldades também fazem parte
A minha carreira não foi construída apenas de grandes momentos.
Houve dificuldades, mudanças, períodos menos fáceis, adaptações e momentos em que tive de trabalhar ainda mais para conquistar o meu espaço.
O futebol profissional pode parecer simples para quem vê de fora, mas existe muito trabalho por trás de cada jogo.
Treinos, viagens, derrotas, críticas, dúvidas e momentos de incerteza fazem parte da caminhada.
Aprendi a não desistir quando as coisas não acontecem como espero.
O que aprendi ao longo da carreira
Aprendi que talento sem trabalho não chega.
Aprendi que é preciso ter paciência.
Aprendi que cada treinador pode ensinar alguma coisa.
Aprendi que uma derrota também pode ser uma oportunidade para evoluir.
E aprendi que representar uma selecção nacional é uma responsabilidade que deve ser encarada com orgulho.
Passei por diferentes clubes, países e campeonatos, mas existe algo que nunca mudou: a vontade de continuar a evoluir.
O presente e o futuro
Actualmente, continuo a representar o Zira FK no Azerbaijão e a estar disponível para defender a camisola dos Mambas.
Aos 30 anos, continuo a olhar para o futebol com a mesma vontade de competir e aprender.
Ainda tenho objectivos por alcançar.
Quero continuar a jogar ao mais alto nível, ajudar os meus clubes, representar Moçambique e viver mais momentos especiais dentro de campo.
A minha história ainda não terminou.
Tudo aquilo que vivi até agora — desde os primeiros passos no Taboeira, a passagem pelo Benfica, a Oliveirense, Sporting, Académica, Polónia, Chaves, Turquia, Azerbaijão e, sobretudo, os Mambas — faz parte de uma caminhada que continua.
E se há algo que aprendi durante todos estes anos é isto:
o sonho pode começar num campo pequeno, mas não existe limite para onde o trabalho, a dedicação e a vontade de vencer podem levar-nos.
Esta é a minha história até aqui.
E ainda tenho muito para escrever.