Numa tentativa de conter a entrada de migrantes em situação irregular e modernizar a segurança dos seus limites territoriais, o governo da África do Sul mobilizou cinco aeronaves não pilotadas (drones) para pontos críticos de vigilância, incluindo Lebombo — na fronteira com Ressano Garcia, em Moçambique —, Maseru, Oshoek e Beitbridge. O país já está a providenciar a compra de mais nove unidades operacionais.
A iniciativa integra um amplo pacote de reformas tecnológicas, políticas e legislativas liderado pelo Comité Interministerial sobre Migração (IMC). Paralelamente, o Departamento de Assuntos Internos prepara um novo enquadramento legal focado na gestão da cidadania e no reforço do controlo digital das fronteiras através da Autorização Electrónica de Viagem.
Para além do reforço do patrulhamento aéreo, Pretória aprovou a instalação de infraestruturas físicas de proteção ao longo da linha de fronteira e determinou que os agentes da Agência de Gestão de Fronteiras (BMA) utilizem câmaras corporais durante as operações. A medida visa combater diretamente esquemas de corrupção e impedir que indivíduos deportados regressem ilegalmente ao país mediante o pagamento de subornos.
Segundo a ministra da Justiça e Desenvolvimento Constitucional, Mmamoloko Kubayi, a monitorização constante das forças no terreno é crucial para pôr fim à recorrente reentrada de imigrantes não documentados e para construir um sistema migratório transparente, seguro e alinhado com o crescimento económico da região.
As autoridades sul-africanas admitem que a degradação da infraestrutura ao longo dos 4.471 quilómetros de fronteira terrestre agrava a vulnerabilidade do país. Estradas de acesso precárias e vedações danificadas ou inexistentes dificultam a mobilidade das forças de segurança, gerando lacunas exploradas por redes de contrabando e criminalidade transnacional.
Para colmatar estas falhas, foi aprovado o Plano de Melhoria da Infra-estrutura de Fronteira para o período 2026-2030, que será aplicado em sete províncias estratégicas. O plano reflete as diretrizes do Presidente Cyril Ramaphosa para travar infrações migratórias e promover o cumprimento estrito da legislação em vigor.
No âmbito da cooperação regional, a África do Sul assinou acordos conjuntos de atuação com Moçambique, Lesoto e Essuatíni, priorizando a partilha de dados e o planeamento de operações coordenadas. Além disso, a recente cimeira da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) aprovou a proposta sul-africana para a realização de um diálogo regional multissectorial focado no tema da migração até ao final de 2026.
Entre meados de junho e agosto de 2026, foram repatriados mais de 86 mil cidadãos estrangeiros em situação ilegal, a maioria oriunda do Maláui, Zimbabué e Moçambique. Apesar da intensificação das fiscalizações, o fluxo de travessias não autorizadas continua elevado, tendo sido intercetadas mais de quatro mil pessoas em tentativas de entrada ilegal no país entre abril e julho do mesmo ano.
