Oposição interna da Renamo classifica convocação do Conselho Nacional como estratégia de sustentação de Ossufo Momade | Notícias CLD
Política

Oposição interna da Renamo classifica convocação do Conselho Nacional como estratégia de sustentação de Ossufo Momade

10/09/2026, 08:00:04

O grupo de ex-combatentes da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) que se opõe à gestão de Ossufo Momade voltou a manifestar-se publicamente, reafirmando o compromisso de realizar ações firmes para libertar a força política da atual liderança. Os dissidentes sustentam que a marcação do Conselho Nacional representa apenas uma tática dilatória formulada para evitar a destituição do líder do partido.

Durante uma conferência de imprensa realizada em Maputo, João Machava, porta-voz dos ex-guerrilheiros, informou sobre a organização da segunda reunião de coordenação da autointitulada comissão de gestão, agendada para os dias 12 e 13 deste mês. Na ocasião, o porta-voz criticou a postura da direção, acusando-a de falta de transparência e de recusa em dialogar para alcançar um entendimento pacífico entre as fações.

De acordo com Machava, o adiamento sucessivo de compromissos internos é uma prática recorrente na gestão de Momade, a quem acusa de recorrer a manobras para postergar decisões cruciais. Para os contestatários, entrar no Conselho Nacional sem um consenso prévio apenas aprofundará as fissuras internas, sendo imprescindível a realização de um congresso extraordinário para delinear o futuro da liderança.

A convocação oficial do Conselho Nacional da Renamo para os dias 21 e 22 de outubro, na capital moçambicana, visa debater a conjuntura nacional e os conflitos internos. No entanto, a pressão sobre a direção tem aumentado significativamente, impulsionada por figuras históricas e veteranos que chegaram a ocupar sedes do partido em protesto contra a atual linha orientadora.

As queixas contra Ossufo Momade envolvem acusações de má administração, falhas na distribuição de pensões aos ex-combatentes e desgaste político. O clima de insatisfação agravou-se após o pleito geral de outubro de 2024, no qual a Renamo obteve apenas 6% dos votos, registando o pior desempenho eleitoral do seu historial e perdendo a posição de principal força opositora no país.

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