Nampula debate-se com défice superior a três mil professores para leccionar mais de dois milhões de alunos | Notícias CLD
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Nampula debate-se com défice superior a três mil professores para leccionar mais de dois milhões de alunos

Nampula debate-se com défice superior a três mil professores para leccionar mais de dois milhões de alunos

A província de Nampula, a mais populosa do País, debate-se com um défice que ultrapassa os 3.000 professores para atender perto de dois milhões de alunos, um cenário que persiste mesmo após a contratação de 351 novos docentes. A informação foi avançada pelas autoridades locais que superintendem a área da Educação.

“Apesar da admissão de 351 professores em 2026, o défice continua a constituir um desafio para o sector, que conta com 2.505 escolas e cerca de dois milhões de alunos”, declarou o director provincial da Educação, William Tunzine.

Segundo os dados apresentados pelo responsável, o sector da Educação na província contabiliza actualmente 33.242 funcionários e agentes do Estado, dos quais 27.800 são professores em exercício.

A falta de docentes nas salas de aula é severamente agravada pelo estado de saúde que fustiga a classe. Estima-se que 1.169 funcionários padeçam de doenças crónicas, sendo 1.059 destes professores. Para além disso, 305 trabalhadores encontram-se acamados, incluindo 296 docentes.

“O caso dos professores é muito sério, muito sério mesmo. Porque há casos de professores que abandonam o tratamento e isso é grave”, alertou William Tunzine.

Sobre o assunto, o secretário provincial da Organização Nacional dos Professores (ONP) em Nampula, André Jane, deu a conhecer que cerca de 1.200 docentes enfrentam complicações de saúde diversas, tais como malária, hipertensão e HIV. O sindicalista lamentou o facto de existirem profissionais que não cumprem rigorosamente a medicação prescrita, apesar das acções de sensibilização e acompanhamento dinamizadas pela agremiação.

A assistência médica e medicamentosa constitui outro nó górdio na região. De acordo com a ONP, os descontos canalizados a partir dos salários não têm correspondência na prestação regular dos serviços sanitários, calculando-se que os cuidados prestados cubram apenas metade das necessidades reais da classe.

A par do quadro clínico fragilizado, o sector lamenta o falecimento de quase 150 professores desde o início do ano, situação que inflige forte pressão sobre a gestão dos recursos humanos.

“Só este ano […] nós perdemos cerca de 147 colegas, até hoje estamos a conversar, dois dos quais por suicídio e sete por morte súbita”, revelou o director provincial da Educação.

Face a este cenário, o dirigente defende maior flexibilidade no maneio dos recursos humanos e a adopção de medidas prementes para dignificar as condições dos docentes, num contexto em que o sobre-endividamento e a saúde mental demandam atenção redobrada, sobretudo no combate e prevenção ao suicídio.

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