Na ONU, Moçambique clama por reforço da ajuda internacional para pacificar e reconstruir Cabo Delgado | Notícias CLD
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Na ONU, Moçambique clama por reforço da ajuda internacional para pacificar e reconstruir Cabo Delgado

Na ONU, Moçambique clama por reforço da ajuda internacional para pacificar e reconstruir Cabo Delgado

Em discurso proferido nesta quarta-feira (23) durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, o Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, apelou a um maior engajamento da comunidade internacional no processo de reconstrução e consolidação da segurança na província de Cabo Delgado. O chefe de Estado sublinhou que a cooperação multilateral e a solidariedade global permanecem sendo os instrumentos mais eficazes para lidar com as grandes crises da atualidade.

Ao dirigir-se aos líderes mundiais, Chapo observou que a Organização das Nações Unidas atravessa uma fase de elevada exigência, marcada pela proliferação de conflitos armados, tensões geopolíticas, ameaças terroristas, crime organizado transnacional e episódios climáticos severos. Para restaurar a credibilidade da instituição, o governante apontou como caminho fundamental o cumprimento equitativo do Direito Internacional e a tomada de decisões pragmáticas com impacto direto na vida dos cidadãos.

O estadista defendeu também o fortalecimento de vias diplomáticas e pacíficas para a mediação de litígios, pautadas pelo respeito absoluto à soberania, integridade territorial e direitos fundamentais das nações, conforme preconiza a Carta da ONU.

Em relação ao cenário geopolítico global, Daniel Chapo reiterou a posição favorável de Moçambique à solução de dois Estados para a questão israelo-palestiniana, manifestando igualmente apoio ao direito de autodeterminação do povo saharaui. Além disso, o Presidente moçambicano reprovou o uso de medidas coercivas unilaterais e solicitou o fim das sanções econômicas impostas a países como Cuba e Zimbábue.

No âmbito interno, o chefe de Estado garantiu que o país segue firme na promoção da paz, no aperfeiçoamento das instituições democráticas e na condução de um diálogo nacional inclusivo, liderado pelo próprio povo moçambicano. Apesar das vitórias registradas no combate aos focos terroristas em Cabo Delgado, o Presidente enfatizou que a estabilização completa da região ainda requer apoio externo robusto.

A agenda de reformas no sistema multilateral também integrou a intervenção. Chapo defendeu mudanças no Conselho de Segurança da ONU para corrigir o histórico déficit de representatividade do continente africano, baseando-se nos termos da Declaração de Sirte e do Consenso de Ezulwini. A proposta contempla a concessão de ao menos dois assentos permanentes com direito a veto e cinco vagas não permanentes reservadas a África.

Por fim, o governante chamou a atenção para as graves consequências da emergência climática, realçando os impactos devastadores sobre o setor agrícola, as infraestruturas básicas e a subsistência das populações locais.

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