Moçambique na encruzilhada: Estudo alerta para risco de escalada de violência nos próximos anos | Notícias CLD
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Moçambique na encruzilhada: Estudo alerta para risco de escalada de violência nos próximos anos

Moçambique na encruzilhada: Estudo alerta para risco de escalada de violência nos próximos anos

Os próximos anos serão cruciais para definir se Moçambique consegue trilhar o caminho da estabilidade e do progresso socioeconómico ou se resvala para um cenário de violência extrema e instabilidade prolongada. O alerta consta de uma pesquisa recente elaborada pelo The United States Holocaust Memorial Museum, instituição estatal norte-americana.

Segundo o relatório intitulado “Presente Crítico, Futuro Precário: Prevenindo Atrocidades em Massa”, o ciclo eleitoral que se aproxima constitui um ponto de viragem para o País: “Com as tensões ainda elevadas, os próximos anos, particularmente com as eleições de 2028–2029 em vista, serão determinantes para saber se Moçambique edifica um futuro de construção de paz e prosperidade ou se resvala para a violência, instabilidade e atrocidades em massa”.

A investigação, desenvolvida em Moçambique entre Junho de 2025 e Março de 2026, baseou-se na metodologia de avaliação de riscos de conflito utilizada pelas autoridades governamentais dos Estados Unidos da América, identificando quatro factores estruturais de elevado risco.

O primeiro pilar apontado é o histórico de violência e atrocidades no País, fortemente marcado pelas consequências das guerras passadas que vitimaram mais de um milhão de cidadãos, deixando marcas profundas como deslocações forçadas, recrutamentos compulsivos, abusos sexuais e graves restrições económicas.

O segundo factor crítico é o conflito armado no norte do País. De acordo com os pesquisadores, “O grupo insurgente, o Estado Islâmico Moçambique (ISM, na sigla em inglês), tem evoluído para um actor adaptado e capaz, apesar dos reiterados esforços, mas amplamente ineficientes, para a sua erradicação por parte das forças governamentais”. O estudo nota que os extremistas aproveitam as assimetrias locais e o descontentamento social para aliciar jovens e alimentar a insurgência em Cabo Delgado.

A falta de responsabilização e as recorrentes violações dos direitos humanos constituem o terceiro factor de risco. O documento enfatiza que “O persistente padrão de impunidade, combinado com abusos em curso e repressão política pelo partido no poder, Frelimo, tem minado a confiança nas instituições do Estado e contribuído para a normalização e potencial continuação da violência”.

Por fim, o quarto pilar diz respeito à fraca prestação de serviços públicos essenciais e à gestão deficiente dos recursos nacionais. Num país onde os índices de pobreza continuam elevados, a corrupção e a falta de transparência nos processos públicos têm alimentado a indignação popular, sobretudo em regiões ricas em recursos naturais.

A análise recorda ainda que, ao fim de meio século sob a liderança do mesmo partido político, a contestação aos processos eleitorais tem intensificado o descontentamento social: “Alegações de fraudes eleitorais, fracos serviços públicos, fraca gestão de recursos naturais e corrupção generalizada conduziram a uma crescente frustração pública”.

Para evitar um cenário de crise profunda, a instituição norte-americana recomenda a adopção imediata de mecanismos não violentos de gestão de conflitos, o reforço da transparência governativa, a promoção da liberdade de informação e o fortalecimento do Estado de Direito em Moçambique.

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