A campanha de imunização bovina no distrito de Matutuíne, na província de Maputo, já alcançou cerca de metade do rebanho em zonas prioritárias contra a febre aftosa. As autoridades sanitárias moçambicanas preparam-se para intensificar a cobertura vacinal com a receção faseada de mais de um milhão de doses nos próximos meses.
Apesar do alerta na região, Moçambique não regista qualquer caso ativo da doença no seu território, e nenhuma província se encontra atualmente sob restrições à circulação de gado. As informações foram partilhadas pelo diretor-adjunto de Sanidade e Biossegurança, Abel Chilundo, durante uma visita técnica da delegação dos Serviços Veterinários do Reino de Eswatini a Matutuíne.
Segundo o responsável, além de Matutuíne, o plano sanitário prevê ações imediatas na zona limítrofe de Namaacha. O país conta atualmente com um stock de aproximadamente 400 mil doses para dar continuidade à imunização focada nas províncias de maior risco, que incluem Maputo, Gaza, Manica e Tete.
A estratégia nacional prioriza áreas fronteiriças e locais onde há contacto direto entre o gado doméstico e a fauna selvagem. Os búfalos constituem o principal reservatório natural do vírus, o que torna a vacinação regular essencial para proteger as criações, em especial as do setor familiar.
Durante os encontros com a comitiva de Eswatini, Chilundo defendeu a urgência de uma resposta coordenada entre Moçambique, Eswatini e África do Sul. O responsável alertou que ações isoladas são insuficientes para conter uma patologia que ultrapassa facilmente as fronteiras territoriais.
A chefe da delegação eswatini, Sihle Mdluli, salientou que Eswatini perdeu recentemente o seu estatuto de país livre da enfermidade após a entrada de um surto proveniente da África do Sul. O problema gerou severas perdas económicas ao interromper o comércio e a movimentação de animais no país vizinho.
A comitiva técnica eswatini, constituída por 15 especialistas, acompanhou o trabalho promovido pela Direcção Nacional de Sanidade e Biossegurança (DINASAB). A iniciativa reforça a partilha de dados epidemiológicos e a implementação de estratégias conjuntas de prevenção em toda a região austral.