O dólar norte-americano manteve a sua posição perto dos máximos da última semana nesta sexta-feira, 28 de agosto. A cautela domina os investidores, que ajustam as suas posições antes da intervenção inaugural de Kevin Warsh na liderança da Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed), durante o tradicional simpósio económico de Jackson Hole.
O índice que avalia a divisa dos EUA face a um cesto de seis moedas de referência registou um ligeiro avanço para os 99,18 pontos. Apesar do saldo semanal positivo de 0,3%, o indicador caminha para fechar agosto com uma desvalorização mensal de 0,6%, marcando o segundo mês consecutivo no vermelho.
O comportamento atual reflete forças opostas no mercado: a persistência das pressões inflacionistas e o cenário de eventuais agravamentos das taxas de juro sustentam a divisa, enquanto os receios com os custos do endividamento público e as intervenções no mercado obrigacionista travam valorizações mais expressivas.
O foco dos investidores está totalmente concentrado na intervenção de Kevin Warsh. Procuram-se pistas vitais sobre como a nova liderança da Fed pretende equilibrar o controlo da inflação e a volatilidade no mercado de títulos soberanos. Contudo, sendo Warsh um crítico do uso excessivo da comunicação antecipada de taxas (forward guidance), a política monetária poderá passar a ser mais estritamente orientada pelos dados económicos em tempo real.
Análises do Citi indicam que uma sintonia entre Warsh e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, poderá acalmar o mercado obrigacionista, embora isso possa pressionar o dólar no curto prazo e levantar questões quanto à independência da autoridade monetária.
No plano dos preços ao consumidor, o arrefecimento mais lento do que o previsto reabriu a porta a novos aumentos do custo do dinheiro. O mercado atribui agora cerca de 35% de probabilidade a uma subida das taxas em setembro, valor que escala para aproximadamente 75% até dezembro. Este enquadramento mantém os rendimentos das obrigações do Tesouro a 10 anos elevados, em torno dos 4,68%.
Em relação às restantes divisas globais, o euro e a libra esterlina mantiveram-se contidos em 1,1645 dólares e 1,3588 dólares, respetivamente, mas continuam no caminho para fechar o segundo mês consecutivo de ganhos face à moeda norte-americana. O iene situou-se nas 159,55 unidades por dólar, mantendo um ganho mensal de 1,3% impulsionado por intervenções das autoridades japonesas.
Nas moedas associadas a matérias-primas, o dólar australiano subiu para 0,7205 dólares (máximo de três meses) devido às expetativas de subida das taxas de juro na Austrália, enquanto o dólar canadiano permaneceu sob pressão perante o cenário de tensões comerciais com Washington. O barril de petróleo Brent fixou-se próximo dos 90 dólares.
No setor dos ativos digitais, o Bitcoin renovou o interesse dos investidores ao superar temporariamente os 81 mil dólares. A principal criptomoeda caminha para fechar o mês de agosto com uma valorização de cerca de 30%, o melhor registo mensal desde o final de 2024, evidenciando a procura por alternativas perante as incertezas fiscais nos EUA.
Fonte Oficial: Revista do tempo