O Governo moçambicano vai implementar medidas temporárias para dar primazia à batata produzida no país nos mercados nacionais, autorizando a importação do produto estrangeiro apenas para suprir as necessidades não satisfeitas pela colheita interna.
O anúncio foi feito esta quinta-feira (29), em Maputo, pelo secretário de Estado do Comércio, António Grispos, no decorrer de uma conferência de imprensa dedicada à promoção da produção nacional e à regulação do comércio externo. Na ocasião, o governante explicou que o volume colhido no país ainda não permite aplicar restrições mais severas à entrada da batata sul-africana.
“O único caminho que nos resta agora é tomar essas medidas de priorização, não de restrição”, afirmou Grispos, sublinhando que a produção nacional deve ter preferência no mercado, sem contudo comprometer o abastecimento das famílias nem provocar o encarecimento do produto ao consumidor.
De acordo com os dados avançados pelo responsável, Moçambique regista uma produção anual situada entre 110 mil e 120 mil toneladas de batata, enquanto as importações provenientes da vizinha África do Sul representam entre 86 mil e 90 mil toneladas por ano.
A colheita recentemente alcançada no distrito da Moamba, na província de Maputo, fixou-se nas quatro mil toneladas, constituindo um indicador de crescimento, embora ainda insuficiente para responder plenamente à procura nacional.
Grispos advertiu que uma proibição precipitada das importações poderia desencadear escassez e inflacionar os preços. Por essa razão, o Executivo pretende implementar acções que garantam o escoamento prioritário da batata nacional, recorrendo à importação estritamente para cobrir o défice entre a oferta interna e a procura.
Esta estratégia deverá abranger igualmente a cebola e o tomate, na perspectiva de reduzir a dependência do exterior e impulsionar os camponeses e produtores moçambicanos. O governante associou parte do recente agravamento do preço da cebola à redução da oferta sul-africana, afectada pela estiagem, situação que acabou por abrir espaço para a comercialização do produto local.
Com vista a elevar a capacidade produtiva, Grispos defendeu a melhoria do acesso a sementes de qualidade e a outros insumos agrícolas, bem como a consolidação das infra-estruturas de armazenamento e logística.
Entre as intervenções em análise figuram a reabilitação das vias de acesso, nomeadamente estradas terciárias, e o aproveitamento do transporte marítimo de cabotagem para escoar os produtos agrícolas das regiões Centro e Norte para o Sul do país, reduzindo substancialmente os custos de transporte e as perdas pós-colheita.
O secretário de Estado revelou também que o Governo deverá apresentar, no decorrer das próximas duas semanas, novas restrições às importações de bens que já disponham de capacidade de resposta suficiente por parte da indústria e agricultura nacionais.
Grispos lembrou ainda que as limitações aplicadas à importação de cerâmica e do pão de forma já foram formalizadas através da publicação dos respectivos instrumentos legais.