Gisela Ângela Gomes Mabota, antiga diretora do Gabinete de Auditoria Interna (GAI) das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), foi demitida da companhia aérea de bandeira nacional. A exoneração surge na sequência de uma auditoria extraordinária promovida pelo seu departamento, que expôs séria falta de transparência e falhas na Comissão de Gestão encabeçada por Tomás Matola, Janfar Abdulai e Agostinho Langa.
O relatório revelou irregularidades graves, como a compra de cinco aeronaves obsoletas — dois Embraer E-190 e três Bombardier Q-400 — sem aprovação da tutela, deliberações formais ou inspeções técnicas prévias. Grande parte desses aviões permaneceu inativa nos hangares, obrigando a LAM a continuar a suportar elevados custos operacionais e de manutenção.
Segundo informações divulgadas pelo Centro para a Democracia e Direitos Humanos (CDD), a demissão foi formalizada a 16 de setembro por Lucas Francisco, vogal da Comissão de Gestão para a Administração e Finanças. A decisão ocorreu cerca de dois meses e meio após o afastamento prévio de Gisela Mabota e do responsável técnico-operacional Jorge Zandamela, que havia solicitado a realização do inquérito.
O CDD repudiou o afastamento da auditora e alertou que "não se pode responsabilizar o termómetro pela febre". A organização defende que qualquer reestruturação credível na companhia aérea estatal deve proteger rigorosamente os órgãos de controlo interno e os profissionais que neles atuam.

fonte: mznews.co.mz