Um impressionante caso de falha judicial está a provocar revolta na província do Bié, em Angola. Bonifácio Coenha, condenado a cumprir uma pena de 20 anos de prisão pelo alegado homicídio de um antigo colega de trabalho, descobriu recentemente que o homem apontado como morto está vivo e de boa saúde.
O enredo remonta a cerca de sete anos na comuna do Cunge. Na altura, Bonifácio Coenha e Daniel Chitale trabalhavam como seguranças numa exploração agropecuária local. Após acumularem sensivelmente seis meses de salários em atraso, a dupla decidiu furtar oito porcos da quinta com o objetivo de os vender em povoações vizinhas.
Contudo, durante a fuga, Daniel Chitale optou por viajar em segredo para a província do Moxico, sem informar os familiares. O desaparecimento repentino gerou desconfiança entre os seus parentes, que rapidamente culparam Bonifácio pelo sucedido.
O caso seguiu para a justiça e resultou na pesada condenação de Bonifácio a duas décadas de reclusão por homicídio qualificado. O acusado cumpriu cerca de seis anos de prisão até à reviravolta no caso: Daniel Chitale reapareceu publicamente e apresentou-se às autoridades, esclarecendo que apenas tinha saído da região por iniciativa própria.
Perante este facto inédito, os advogados de defesa recolheram provas do paradeiro da pretensa vítima e submeteram um recurso extraordinário de revisão da pena junto do Tribunal Supremo de Angola.
Apesar das evidências de que nunca existiu qualquer crime de morte, Bonifácio Coenha continua privado da liberdade enquanto aguarda a deliberação final da alta corte sobre a anulação da sua sentença.