Delfina Alexandre, de 31 anos, acusa a equipa clínica do Hospital Geral José Macamo, em Maputo, de ter procedido à remoção das suas trompas de Falópio sem o seu consentimento ou conhecimento prévio. O procedimento ocorreu no âmbito de uma intervenção de urgência para interromper uma gravidez ectópica de três meses, tendo a utente descoberto a extração dos órgãos apenas um mês mais tarde, no decorrer de uma consulta de rotina.
A lesada e os seus familiares, incluindo o esposo que a acompanhou durante três dias de internação, contestam veementemente a atuação médica e acusam a unidade de saúde de tentar encobrir o caso. Segundo os relatos prestados à imprensa, foi negado à paciente o acesso ao seu processo clínico com o argumento de que o documento se havia perdido, tendo o hospital proposto a abertura de um novo registo.
A exigir justiça e explicações formais sobre o sucedido, Delfina questiona a conduta da instituição, lamentando que o apoio psicológico só lhe tenha sido oferecido dois meses após a cirurgia — um mês depois de tomar conhecimento de que perdeu definitivamente a capacidade de voltar a engravidar.
Confrontada com o caso pela equipa da Miramar, a direção do Hospital Geral José Macamo recusou-se a prestar declarações imediatas, reencaminhando a responsabilidade dos esclarecimentos para a Direção de Saúde da Cidade de Maputo.