Demolições em Chibuto Deixam Uma Centena de Famílias ao Relento e Geram Indignação Popular | Notícias CLD
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Demolições em Chibuto Deixam Uma Centena de Famílias ao Relento e Geram Indignação Popular

Demolições em Chibuto Deixam Uma Centena de Famílias ao Relento e Geram Indignação Popular

Uma onda de indignação e desespero tomou conta da zona de Nhamuza, no distrito de Chibuto, província de Gaza, após a destruição de cerca de cem habitações por ordem das autoridades locais. As operações de demolição deixaram inúmeras famílias desalojadas, sem teto, alimentos ou acesso a bens essenciais, desencadeando duras acusações de injustiça contra a administração municipal.

As vítimas da ação relatam perdas financeiras significativas, estimadas entre 200 mil e 300 mil meticais por imóvel — recursos acumulados ao longo de anos de trabalho e sacrifício. Diante dos escombros de tijolos, chapas de zinco e caniço, os moradores tentam resgatar o pouco que restou. Além da perda patrimonial, a destruição afetou diretamente as crianças da região, que tiveram os seus materiais escolares perdidos e viram a rotina de ensino interrompida.

Entre os afetados está Carlota, de 56 anos, mãe de seis filhos menores, que viu ruir as três casas edificadas ao longo de uma vida. Segundo o seu relato, a família enfrenta agora o rigor do frio e a escassez de mantimentos, sem uma perspetiva concreta de alojamento. No mesmo local, outros residentes, como Puka Lhaio, alegam que os terrenos afetados constituem herança familiar ancestral, contestando a legitimidade da intervenção e apelando à intervenção de instâncias superiores para resolver o impasse.

Em contrapartida, o Município de Chibuto sustenta que a medida foi executada dentro dos trâmites legais e após o esgotamento dos canais de comunicação. Representado por Justino Macondzo, o município assegura que os ocupantes foram notificados oficialmente em três ocasiões para desocuparem a zona voluntariamente, avisos que teriam sido ignorados pelos visados.

A autarquia esclarece ainda que a parcela de terra possui um Direito de Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT), emitido em dezembro de 2022, estando formalmente reservada pelo Estado moçambicano para a construção do futuro Hospital Distrital de Chibuto. Apesar das justificações oficiais, a comunidade rejeita a versão da autarquia, denunciando a ausência de soluções de reassentamento para as dezenas de agregados familiares subitamente privados das suas habitações.

Fonte: O País

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