Apesar de estarem cientes das perigosas consequências do sexo sem proteção, vários jovens e residentes da cidade de Pemba, na província de Cabo Delgado, continuam a ignorar o uso do preservativo. Argumentos como o desconforto físico, a suposta redução do prazer sexual e a confiança depositada nos parceiros surgem como as justificações mais frequentes para abandonar a prevenção.
A relutância em adotar esta barreira protetora não resulta do desconhecimento. Os jovens locais reconhecem plenamente a eficácia do método na prevenção do vírus do HIV, de outras infeções sexualmente transmissíveis (IST) e de gravidezes indesejadas. No entanto, crenças pessoais sobre sensibilidade e uma avaliação equivocada do risco individual tendem a ditar a conduta no momento da relação.
Diante desta realidade, a Associação Moçambicana para o Desenvolvimento da Família (AMODEFA), representada pelo seu vice-presidente provincial em Cabo Delgado, Noé Abílio Muativisa, frisou que a ideia de que a proteção retira a satisfação sexual não passa de um mito a ser desmitificado. A organização defende uma maior presença de ações educativas em escolas e bairros, aliada a um papel ativo da imprensa na promoção da saúde sexual.
Os dados epidemiológicos da província reforçam a urgência destas ações. Informações do governo provincial revelam que, entre janeiro e setembro de 2025, foram efetuados aproximadamente 693 mil testes de HIV em Cabo Delgado. O rastreio identificou cerca de 16 mil casos positivos, elevando para mais de 126 mil o número de doentes atualmente integrados no programa de tratamento antirretroviral.
Fonte Oficial: RN