Cerca de quatrocentas pessoas que exercem a atividade comercial no Mercado Senta Baixa, no distrito de Chongoene, voltaram a manifestar o seu descontentamento contra a ordem de desocupação do local. Os comerciantes recusam-se a ser transferidos para o Mercado da Paz, apontando falhas graves de segurança no novo espaço e contestações relativas à posse do terreno.
A principal preocupação dos vendedores prende-se com a localização do Mercado da Paz, situado junto a uma curva acentuada da Estrada Nacional Número Um (EN1). Segundo os trabalhadores, a proximidade com o tráfego rodoviário expõe comerciantes e clientes ao perigo constante de atropelamento, tendo já sido registados episódios de veículos a saírem da faixa de rodagem em direção à zona de venda.
Para além dos riscos rodoviários, o grupo contesta a legitimidade do Governo local para utilizar o espaço. Segundo relatos dos próprios comerciantes, o imóvel pertence a privados e tinha sido anteriormente arrendado a uma empresa chinesa. Com o término do contrato, a infraestrutura regressou aos proprietários originais, acusando-se as autoridades territoriais de tentarem ocupar o recinto de forma coerciva e sem abertura para diálogo prévio.
A par do impasse sobre a relocalização, as condições operacionais no Senta Baixa têm-se deteriorado. Vários feirantes relatam episódios de violência, agressões físicas e dificuldades logísticas acrescidas, sendo forçados a percorrer longas distâncias a pé ao longo da via férrea a carregar mercadorias pesadas.
A instabilidade na região é igualmente agravada pelo aumento da criminalidade. Nas últimas semanas, a zona do Senta Baixa registou pelo menos nove ocorrências criminais, incluindo assaltos violentos a agentes económicos e operadores de serviços financeiros móveis, com recurso à força física para financiamento de atividades ilícitas e tentativas de imigração irregular.
Perante a escalada de assaltos — que já contabiliza mais de uma dúzia de vítimas entre prestadores de serviços de carteira móvel naquela região nos últimos meses —, o porta-voz policial Carlos Macuácua garantiu o reforço do policiamento no local. Enquanto isso, a comunidade de vendedores apela a uma intervenção direta do Governo para a disponibilização de uma área alternativa digna e em condições efetivas de segurança para o exercício do comércio.