O ativista dos direitos humanos Adriano Nuvunga enviou uma carta aberta ao Presidente da República a exigir a revisão imediata da norma governamental que reserva 10% dos projetos agrícolas aos antigos combatentes da luta de libertação nacional. No documento, a medida é classificada como discriminatória e contrária aos princípios de igualdade.
Apesar de reconhecer o valor histórico daqueles que lutaram pela independência nacional, Nuvunga argumenta que a decisão institucionaliza uma "hierarquia do sacrifício". Segundo o ativista, utilizar a memória histórica para conceder acesso privilegiado a recursos públicos acaba por ignorar e apagar o sofrimento de milhares de outros cidadãos moçambicanos.
O documento destaca ainda o impacto de outros momentos marcantes da história recente do país, como os conflitos armados que deixaram viúvas, órfãos e mutilados, além da atual crise humanitária e de violência em Cabo Delgado. Para Nuvunga, milhares de deslocados que perderam tudo continuam sem qualquer plano de apoio ou compensação proporcional.
A carta sublinha que a diretiva viola a Constituição da República no que toca à igualdade de todos perante a lei e ao combate aos privilégios. Por fim, o ativista apela ao Chefe de Estado para que promova uma política nacional transparente e inclusiva que reconheça todas as vítimas dos ciclos de violência no país.

fonte: mznews.co.mz